Domingo, Julho 15, 2007

True Lies

Eu volto. Eu sei que todas as noites e todos os dias você finge, mas eu sempre volto.
Acha que não sei que as lingeries que veste fingindo me esperar nunca foram compradas com meus desejos no seu pensamento ou com o propósito de me seduzir?
O batom vermelho, os lençóis limpos e perfumados – pensa que não sei que outra boca encosta nesses lábios e que os lençóis limpos só escondem a luxúria espalhada naqueles que estão à espera da água purificadora?
Não... não pense que me iludo achando que a taça envolta em meus dedos agora nunca encheu as mãos de outro... Não sou tão tolo... Mas mesmo assim eu a seguro. Eu bebo do mesmo vinho com que banhas outras gargantas, o mesmo com que embriagas outras presas – e me farto.
Sinto tua pele recém percorrida pela navalha, lisa, macia, perfumada, pensando no quanto contribuo para que sempre esteja assim pronta para todos; te dou presentes, te encho de tudo o que mais gosta, mesmo sabendo que não é por mim ou para mim que te prepara ardilosamente.
Eu volto – mesmo sabendo que você me engana, eu volto.
Volto porque sei que todos os seus gritos são falsos – sei que teu prazer não é verdadeiro. Volto por saber que todas as vezes que a vejo cravar nos lençóis as unhas esmalatadas em vermelho, morder o travesseiro escondendo o rubor da sua descarada face ou abafando os urros de falso deleite você está apenas no segundo ato da sua encenação.
(Enquanto balança os quadris me encarando felinamente meus olhos te dizem o que minha boca nunca pronunciará: quebre a perna! Seu sucesso na dramatização é minha glória).
Eu volto porque mesmo assim, fingindo, você é obediente, minha putana. Vai, assim... Faz como eu mando... Fica de quatro porque eu quero te ver... bem-mandada.
Faz prá mim, faz... aquela cara de quem ta gostando, faaaaaz... Mas vê só se for "bem-feito" porque não é à toa que escondo meus - verdadeiros - olhos sobre tuas costas; ainda sou aluno na arte da dramatização.
Vamos, grita! Me pede pra te segurar com força pelos cabelos, vai implora! Talvez assim eu esqueça do seu teatrinho e também finja acreditar que você esta mesmo gostando.
Se me aproveito das tuas mentiras é porque assim fica mais fácil voltar todos os dias e te tratar como merece, sua farsante dissimulada.
Sugo até ultima gota desse líquido maldito – me alimento desse néctar que se torna fel quando me despeço. O amargo que fica impregnado na minha língua durante todo dia é o que me faz voltar.
Ah, mas não estraga tudo agora com esse pinguinho de verdade, não... Finge só mais um pouquinho... Deixa-me ver a hipocrisia desvelada nas tuas pupilas retidas – não me decepciona agora!
Teu espetáculo também me permite ocultar minhas verdades sem culpa.
Vamos, grita – mas grita como urram as feras, para que eu esqueça que de fato o que eu gostaria era que você estivesse sentindo.
Encanta-me te ver fingindo pra mim.
Mente de verdade; mente com sinceridade, que assim talvez eu te dê o presente de um afago depois do gozo.
Se teu espetáculo me convencer, talvez eu consiga continuar voltando e te fazendo crer que realmente não te quero – e que é por isso que eu venho.
Não... não te preocupa com fatores morais... Ora... Se a capacidade dos hominídeos de mentir é percebida tão cedo, e é quase universalmente inerente ao desenvolvimento humano, você não será considerada pecadora. Fique tranqüila, pois meu código ético determinou que tua verdade não é necessária – no que se refere a você, sou adepto ao pragmatismo, considerando como verdadeiro aquilo que mais contribui para o meu bem-estar. Nesse caso: tua falsidade.
É por isso que eu volto; saber que é pra mim e por mim que você finge todas as noites, sua Peça só entra em cartaz e suas cortinas só se abrem quando eu chego. Eu volto pelas tuas mentiras sinceras; porque você me convence diariamente de que acredito que só volto pelas tuas mentiras.

____________________________________________
Som-ambiente (clique-veja): The Doors - Light My Fire
Gorjeta: Ouro branco, ouro preto, ouro podre. Ele enche os ouvidos dela de ouro das Minas - suas minas antigas barrocas de volutas e seu ouro ficou enfeitando seus ouvidos e olhos e depois todo o corpo em vestimenta de brilhos que se insinuaram por toda ela o que a fez sentir-se dançante e em rodopios transmutou-se numa raninha e assim acreditou e assim era, pois assim ela se via nele, em seus olhos que a olhavam meio torto como se não sustentassem seu fulgor. (Brandão, Ruth Silviano - Puro Ouro)

Domingo, Abril 15, 2007

Ich riech blut...

Seu vagaroso cruzar de pernas podia revelar o que ele não podia ter, e suas palavras possuíam a atroz capacidade de denunciar tudo o que ele não queria saber.
Em seus movimentos friamente calculados ele se perdia, já não conseguia juntar cada palavra que ela pronunciava em meio às tragadas hostis que dava no cigarro. Mal sabia, inebriado com os reflexos avermelhados do sol que intensificavam o contraste do verde dos olhos que o fitavam com o dourado da pele que os emoldurava, sobre exatamente o que ela dissertava.
Observava cada gesto, cada piscar de olhos, cada levantar de sobrancelha, enquanto a imaginava de joelhos, de costas, com seu perfume impregnando suas mucosas olfativas – certamente mera fantosmia.
E por todas as semanas era assim.
O som era só o da sua voz, levemente rouca, sensual, mas em seu mundo particular eram seus sussurros que ele ouvia, pedindo para parar, pedindo mais – gritando. E cada palavra, e cada som o levavam mais fundo.
Sentiu-se ruborizar. Sentiu-se aquecer e esqueceu-se do lugar onde estava ou do que era – sabia-se apenas homem.
Virou-a de quatro enquanto levantava sua saia e invadia suas curvas roçando a barba por fazer na lisa e macia pele.
Ele não se inquietava com os gritos de dor ou de prazer, porque em seu fervor a única coisa que desejava era penetrá-la mais e mais. Tantas vezes quanto seu corpo agüentasse.
Seu desejo era controlá-la, tê-la em seu poder – sempre tão intocável, sempre tão Mona Lisa - por mais que ele tentasse examiná-la por ângulos diferentes sempre sabia que ela o observava e sempre com o sorriso perturbador e convidativo que o inquietava. Era por isso que tinha certeza de que ela desveladamente, mas de forma tênue, pedia por tudo aquilo.
Pedia para ficar de joelhos, pedia para inclinar suas nádegas cada vez mais e enfiar sua cara no travesseiro, porque seus gritos abafados o excitavam. Pedia suas mãos amarradas por trás das costas – afinal, não era por tudo isso que teria se tatuado; não fosse pelo seu desejo oculto de que ele a possuísse por trás, daquela forma tão feroz. Ela não arrastaria seus joelhos pelo tapete balançando os quadris e olhando-o por cima do ombro com um leve sorriso no canto da boca se não estivesse, em seu íntimo, pedindo.
E ele sabia que ela queria mais. Ele sentia que ela o provocava e persuadia da forma mais baixa – que usava da sua falsa inocência para trazê-lo para perto, para acordar o indivíduo ínfimo que morava em suas entranhas.
Enquanto uma de suas mãos transpassava pelos seus quadris controlando a freqüência e a força de seus movimentos, a outra derramou o que restava do vinho pelas suas costas e num ligeiro movimento sua língua percorreu o trajeto vermelho traçado, como se lambesse o sangue da vítima a ser devorada – um breve couvert. Segurou-a pela nuca enroscando seus dedos pelos cabelos e puxou-a para si enquanto ouviu seu último grito.
Lentamente seus dedos deslizaram pela pele úmida que possuiu, apertando seus culotes, suas coxas, como um agradecimento. Abandonou o corpo inerte no chão da sala.
Observando o cadáver refletido pelas luzes do vitrô e da clarabóia, únicas testemunhas da verdade que morava entre aquelas quatro paredes, começou a ouvir como em volume crescente a mesma voz intermitente que havia o levado ao transe.
- Preciso fumar – sinal de que nosso horário já está se esgotando. Já deve ter alguém à sua espera do lado de fora... Volto na próxima semana, Dr. Saulo.

____________________________________________
Som-ambiente (clique-veja): Big Girls Don't Cry - Fergie
Gorjeta: "Eu ainda não sabia o que era essa história de se apaixonar feito um cachorro e não conseguir se afastar tranqüilamente de uma mulher. E dizia a mim mesmo: "Um homem não pode perder o controle nunca". Eu pensavaa como um líder, com o controle absoluto na mão. E gostava muito de mim: eu, o implacável. Depois, os anos passaram por mim. e muitas coisas aconteceram". (O Insaciável Homem-Aranha, Pedro Juan Gutièrrez)

Terça-feira, Fevereiro 13, 2007

Sem meias...

Sentou-se sobre o velho puff cor-de-laranja desbotado que sua vó lhe deixou de herança. Com as formigas mordendo-lhe as nádegas ligou os três botões que iniciavam a largada por mais uma
sessão de sábado.
A conexão, o login, o nome de usuário.
(Nome de usuário?

Estou aqui todos os dias, com meus olhos vidrados em você, e você ainda não sabe meu nome...
Que indelicadeza...).
Abriu páginas e páginas... letras, letras... imagens, imagens.
O copo sempre na sua frente. Às vezes amarelo, às vezes negro, às vezes incolor - com bolinhas, sem bolinhas; com álcool, sem álcool.
(Sempre achou a opção do "com" bem mais divertida, mas no momento de embaralhar as palavras, pernas embaralhadas não combinavam com a velocidade com a qual seus dedos precisavam se mover para acompanhar seus pensamentos).
A fumaça... Por vezes do cigarro, por outras do incenso, mas sempre a fumaça. Era como quando os antigos índios acendiam os cachimos ou cigarros, chamando os espíritos.

Ela sempre os invocava.
Os bons, os insanos, os malfeitores, os possuídos; as perversas, as abandonadas, as amadas, as odiadas, as esquecidas.
Venham, Nefertite, Ártemis, Hera, Perséfone, Afrodite, Átena, Minerva... Gaia.
Em frente ao que sempre a olhava com um grande ponto de interrogação. Com uma tela branca e um cursor intermitente, que a convidavam ao bailar das falanges.
De chinelos, de sandálias. Com salto - descalça.
Sem calça.
De roupa, de hobbie. De camiseta, com toalha - sem toalha.
E as pequenas formigas passando na sua frente...
(Como elas gostam de tudo o que é meu! Passam pelo meu cigarro, pela minha bebida, pelos meus pápeis, cd's. Olha lá, estão percorrendo o rosto da minha amiga, nos seus olhos - sim, porque também estão nas fotos....
Normal seria estarem na cozinha. Mas estão na minha sala, no meu quarto, no meu banheiro - é no meu banheiro, essas safadas! Gostam das minhas maquiagens, dos meus perfumes e de Victoria's Secret. Estão na minha pele - nesta sim, estão sempre. E com certeza gostam do que lêem. Com certeza mordem minha bunda porque não gostam de ficar por baixo...).

Então o pensamento pára. Se ele pára a boca fala. Meio desafinada, rouca, tentanto acompanhar. É só um trago para que os dedos voltem a trabalhar.
Janelas e janelas abertas - mas nenhuma traz o vento. Nenhuma que deixe passar o barulho dos veículos que estão enlouquecidamente preenchendo o asfalto, treze andares abaixo. Nenhuma que permita ver a infinidade de cimento, vidros, concretos e tons gris que a rodeiam.
E naquele cantinho, escondido, quietinho... o homenzinho verde com a bolinha vermelha.
Estou ocupada.
(Estou ocupada?)
Os olhos vidrados, esperando que nasça mais uma cria. Elas sempre são diferentes, e nem sempre são as esperadas, as imaginadas.
Me pedem batom, lingerie, meia-luz, lençóis. Lágrimas, dor, resignação. Paixão, ódio, convalescência. Eu sei que do outro lado esperam por mais luxúria, bebidas, corpos desnudos ou histórias misteriosas.
Hoje não tem mistério - pelo menos não esse.
Pelo menos não de tão fácil acesso.
Hoje é preciso muito mais que olhos velozes e imaginação soltinha prá tentar distinguir o que está por trás do monte de palavras e frases (aparentemente) desconexas.
Quem sabe com alguns goles e tragadas seja possível passar perto do que esse emaranhado de parágrafos é capaz de traduzir?
É fácil enganar a tela branca e o cursor: eles não fitam meus olhos, só compreendem meu toque.

Hoje estou de luvas (sete oitavos, preta, de cetim
...mas de luvas).
____________________________________________

Som-ambiente (clique e veja): Layla - Eric Clapton
Gorjeta: "Minha vontade é deitar ali e fazer alguma graça, minha vontade é que ele tire meus sapatinhos de boneca com calma e beije meus pés, afinal: pintei minhas unhas de vermelho só para ele. Minha vontade é que ele me pergunte se quero um pouco de chá gelado e se eu gostaria de ver um dos seus filmes estirada nas grandes almofadas. Mas ele não quer saber dos meus pés, dos meus olhos deslumbrados com aquela vida de cinema, do meu dente sujo de chocolate ou da minha garganta que arde. Ele quer mergulhar em mim, ele quer entrar em mim, ele quer me descobrir a fundo. Mas ele quer tudo isso sem sequer tocar em mim." (trecho do texto de Tati Bernardi)

Quinta-feira, Fevereiro 01, 2007

Pandora's Box


Então a boa-má-menina voltou a sentar naquela mesma mesa de bar. As oito vodcas lhe desciam pela garganta, como água gelada para um sedento no deserto, ao mesmo tempo que embaralhavam seus pensamentos, embriagavam suas pernas, turvavam sua visão, relaxavam seus músculos... Cada milésima parte do metro de pele, cada poro, cada pêlo.
Boa dose de remédio para algo do qual não acreditamos existir cura ou alívio.
Pois estava ali, perante seus olhos, ao alcance de seus lábios; cristalina, límpida, navegando por entre pedras de gelo. Mesmo assim, carregada de fluídos obscuros e indecentes – forma despudoradamente indecorosa e minuciosa de tirar o torpor e despertar a divindade arrefecida pela invasão perturbadora do nobre, mas inútil sentimento, capaz de derrubar até o mais bruto dos seres.
O suor que escorria pelo circuito externo do cilindro que mantinha preso este insigne líquido, também descia por entre seus dedos, pelas unhas vermelhas da única verdadeira dona daquele corpo, lhe propiciando um bom motivo para roçar e friccionar uma mão contra a outra sem demonstrar a ansiosidade ou nervosismo que a intrusa ainda deixava escapar debilmente. Sofisma inescrupuloso.
Cada gole clamava por ela, por aquela que jamais deveria ter abandonado sua extensão, forma ou pensamentos. A perversa menina estava escondida, perdida por entre os lençóis úmidos da donzela inocente – e ela só conhecia o pecado e a luxúria; estava esquecida em meio às juras de amor grudadas no ouvido da desprotegida moça, enquanto ela só distinguia palavras insolentes, obscenas, mentirosas e lascivas; viu-se enrolada em lingeries de algodão de cores sóbrias, baratas, quando seu corpo gritava pela seda, pelo nylon, pelo vermelho, pelo preto, pela cinta-liga. Embriagada numa esquecida taça de vinho barato deixado ao lado da cama, aprisionada na letargia desse sentimento inverossímil e ficcionista, que entorpece e emburrece.
Mas ainda viva.
Adormecida, mas na espreita – aguardando a fresta, a fenda possível para libertar-se.
O álcool nas veias, a nicotina invadindo os pulmões, a música ininterrupta e descompassada os olhos nos olhos. O verde esmeralda brilhando e fitando como mira a laser, percorrendo todos os cantos, todos os espaços. Fatores que a incitavam sair da modorra, a abandonar as vestes e os pensamentos morais da boa menina que invadiu seu espaço e libertar-se. Libertar a herege perversa e insensível adormecida pelas palavras doces proferidas ao pé do ouvido e pela ilusão de que ser a “boa-moça” lhe traria de volta o doce gosto de combinar lealdade, amor, cumplicidade e verdade com algo parecido com felicidade.
Só mais um gole... Só mais uma tragada – só mais aquela música e a caixa de Pandora estaria completamente aberta.
Tempo esgotado. A fúria com que ela se liberta justifica todo o tempo de clausura.
Sem discernir investe contra a primeira presa indefesa que ousa aproximar-se, na ingenuidade do que estava por suceder.
Só há sangue e pele por entre seus dentes e unhas... no canto da boca. As vestes ao chão, o pudor em companhia das traças.
"Você tem um bom coração... adormeça boa-menina."

_______________________________________
Som ambiente (clique e veja): Perfect - Simple Plan
Gorjeta: "Eu não quero que você me busque num super potente carro, eu só quero que quando você me beije, eu não deseje mais nenhuma força do universo. Estou pouco me lixando se o restaurante tem várias cifras no guia da Folha, mas gostaria muito que a gente esquecesse das mesas ao lado e risse a noite toda, eu até brindaria com água sem bolhinhas. Sério que tem uma pousada mega-master com ofurô em cima da montanha e charretes cor-de-rosa que trazem o café da manhã? Dane-se, se você conseguir passar, nem que seja algumas horas, encantado pela gente, essa será a maior riqueza que eu posso ganhar." (trecho do texto de Tati Bernardi - http://tatibernardi.com.br/artigos.php?y=2006)

Segunda-feira, Novembro 06, 2006

Mancha

Arrasta esses delgados joelhinhos pelo carpete imundo, arrasta. Mas faz isso com vontade, porque quero poder ver as manchas de sangue que deixarás marcando o trajeto pelo qual vais passar até chegar aos meus pés. Quero que teu arrependimento e tua culpa fiquem manchados no chão da minha sala de estar para que eu me lembre dos traços do teu rosto, em súplica, cada vez que me deitar nele, devorando a próxima vítima.
Te ajoelha diante de mim. Estira tuas costas e desce teus ombros perante os dedos vermelhos pelos quais tanto sorriste e chora, mas chora com vontade. Chora alto porque quero poder ouvir teus soluços mesmo em meio aos gritos e sussurros dos próximos que virão, e que também colocarão seu peso sobre o meu e que também me farão juras nunca cumpridas; e que também serão expulsos, mas que nunca ocuparão teu espeço, tua cavidade, minhas obscuras cavernas.
(Mistura tuas lágrimas com meu suor. Mistura tuas lágrimas com as minhas.)
E assim, com o rosto molhado e os joelhos em carne-viva, enrola teus finos dedos sobre o salto do meu sapato e te ergue vagarosamente. Vai subindo aos poucos, aos pedaços , sobre as minhas lisas e negras meias de naylon, e quando sentir e renda que envolve minha coxa encostar na tua face, te envereda e te embebeda com a única dose que ainda posso te dar - do pouco do muito que ainda permanece vivo de ti em mim.

Sábado, Julho 08, 2006

Quinto elemento


Na semântica daqueles quatro olhos que se fitavam cobertos por cento e cinquenta e nove longos e loiros fios de cabelo; a presença do intruso.
Em meio às quarenta e oito gotas de suor que escorriam por dezenas de curvas e algumas cavidades.
Entre pares de pernas, por duas línguas.
Por vinte dedos - por aquelas duas mãos entrelaçadas, pelos dois milhões e seiscentos mil poros encostados, quase à vácuo.
Por duzentos e doze músculos movimentados frenética e compassadamente...
Pela pressão arterial oscilante - cento e oitenta, por cento e dez mmHg. Pelos outro cento e noventa e sete batimentos cardíacos.
Por um.
Por mim.
Pelo simples prazer da dor renovada.
Pelo que não cabe, pelo que não se mede, pelo que não combina; pelo errado, pelo avesso. Pelo oposto.
Por uma penetração.
Pelo epicentro.
Um quinto olho se fez presente.
___________________________________________
Som ambiente: Upside Down
Gorjeta:
"Os dois corpos unidos se comunicavam aos sussurros, com pequenas frases de amor. Se acariciavam, se desejavam com cada pedacinho dos sentidos. Depois, quando esfriava a sensualidade, dava pena sentir tanto amor. A sutileza do amor é um luxo. Desfrutá-lo é um excesso impróprio dos estóicos" (Pedro Juan Gutiérrez)

Quinta-feira, Março 23, 2006

Outra


"Eu te amo nunca mais".
Foram as únicas palavras que ecoaram naquela sala fétida onde passara anos depositando e sedimentando todas aquelas migalhas afetivas acumuladas. Se libertaram, banhadas pelo gosto acre e levemente salgado que escorria pelo canto esquerdo da sua boca - com a força de quem pare uma cria, com o ódio de quem encrava a espada no peito do inimigo.
Os mamilos secos e rijos, os poros abertos, o corpo teso, intrépido, e os pêlos hirtos se enrosacavam num emaranhado de carne e ossos atirado entre as imundas frestas, arrastando-se sobre as pétalas mortas e murchas que se colavam no seu corpo úmido, como parasitas; sanguessugas sedentas, na busca do último suspiro de vida.
Sem dor não há redenção, e a cada corte aberto na sua pele, a cada gota de sangue derramada ela se sentia mais próxima da libertação, do ato final.
Buscou o que nunca existiu - era hora de desapegar-se das lembranças, de desmachar os sonhos projetados sob a visão ilusória de quem a fez acreditar na utopia da felicidade e apagar a luz. O escuro a chamava. As sombras esperavam-na.
Ela sabia que através de alguma fresta ele a espreitava, como sempre, calado, imóvel, obervando seus movimentos, aguardando seu fim lento e gradual. Aqueles brilhantes e maquiavélicos olhos que a perscrutavam numa mistura diabólica de tesão e asco, de desejo e repúdia careciam da certeza da sua morte ou seriam assombrados por toda vida pela nódoa do mal que a construiu - como dividir o ar com a única criatura capaz de dissuadí-lo?
Arrastou-se até a parede com fissuras o suficiente para abrigar as pontas dos estreitos dedos que buscavam o vigor muscular capaz de erguer o esguio corpo, passou a mão pelo interruptor e quando pensava-se que o único movimento possível seria o de apagar a luz, ela abriu a porta.

______________________________________________
Som ambiente: Chop Suey
Gorjeta: "minhas mãos quase o tocavam, meus olhos o viam, mas tão intrincadas e confusas eram as curvas que eu sabia que ia morrer antes de alcançá-lo" (Jorge Luis Borges - O Aleph)

Bônus: Entre nós deve haver sinceridade/Eu não sei o que é que você tem/Que não me beija nem me procura/Eu tenho medo de perder alguém/De quem espero que aquela jura/Não tenha ido para mais ninguém/O silêncio é uma tortura/Alguma coisa se perdeu/Você já não me olha como antes com ternura/Só falta me dizer adeus/Adeus. (Paulinho da Viola)

Quarta-feira, Março 08, 2006

Lenha

Tendo em vista esse meu período de "colocar a casa em ordem" e por estar com meus dois próximos textos alinhavados, mas ainda sem aquele acabamento fundamental...
Me permiti (e peço aqui desculpas ao autor, pq tb não pedi sua permissão - por isso mantenho a autoria incógnita) publicar o que considerei uma especial contribuição... Digamos que podemos chamar de... "lenha na fogueira".
O mail chegou carinhosamente sob o título: "Vc está despida", e imaginem o susto que levei...
Não é exibicionismo, não.... Mas ganhou o merecimento da publicação.


"Você usa a linguagem da sensualidade como cortina de fumaça para submeter teus leitores (as) aos teu mais íntimo desejo. A sexualidade é secundária pra ti, o que voce quer é o poder. Você quer todo o poder que uma fêmea pode conseguir com suas armas. Na verdade teu maior prazer é o embate pelas idéias. Voce ama a disputar idéias, isso te mantém viva. Só os leitores mais incautos se entregam ao orgasmo "frívolo" da sensualidade das tuas palavras. Os que sabem do que voce está falando, esse são os mais exigentes, "tu me provoca eu te desafio"

Desafio... !!!!
Beijos!

Segunda-feira, Março 06, 2006

Brigaduuuuuuuuuuuuuuuuu!!!

Ainda volto prá dar mais detalhes...
Ainda preciso organizar muita coisa por aqui...
Mas não podia deixar de passar prá deixar o meu: MUUUUUUUUITO OBRIGADA! Com certeza, seja com contatos ou com a energia positiva, devo a vocês tudo de bom que está acontecendo e que deve continuar acontecendo daqui prá frente...
Tá tudo certooooo!!!! Que venha o restante das malas!!!!
Beijãããããããããããããããããããããããããããããoooooo!!!


Quarta-feira, Fevereiro 15, 2006

Ufffs...

Tenho caminhado muito por aqui. Não... prá quem disse que seria fácil eu respondo: não é naaada fácil. É incrível como apenas a distância de alguns quilômetros pode nos mostrar o quanto tudo pode ser muito diferente. Numa cidade como essa é fácil se destacar como mais um rosto bonito na frente de uma cabeça pensante (muito pensante eu diria), mas sente-se falta de bons relacionamentos.
Muita coisa funciona com base nisso - quem vc conhece?
Esse é o ponto de partida, não as idéias na sua cabeça, inteligência, boa aparência...
Mas a questão nesse momento é: esgotemos as possibilidades. Afinal, quem me conhece bem, sabe que não vim até aqui prá desistir nos primeiros tombos. Sim, tenho caído, levantado, feito os curativos, limpado o rosto e seguido em frente.
E se for necessário um passo atrás para que em outro momento possa dar dois para frente, que o passo seja dado - orgulho em excesso nos empurra para um estado letárgico do qual quero distância.
E aproveitando o espaço de confusão da moça aqui, lá vai um breve pedido: tô correndo atrás de trabalho em SP. Quem souber de alguma coisa por aqui e quiser indicar uma cabeça pensante cheia de disposição... às ordens!

Beijos cheios de saudade da minha terrinha do churrasco e do chimarrão!

PS: Siiiimmmmm: texto novo no forno!!!!!

____________________________________________________________________
Som ambiente: Pescador de Ilusões - O Rappa
Gorjeta: Omitir sempre uma palavra, recorrer a metáforas ineptas e a perífrases evidentes, é quiçá o modo mais enfático de indicá-la. (Jorge Luis Borges - O Jradim das Veredas que se Bifurcam)


Sábado, Fevereiro 04, 2006

Sorry!!!

Gente... a ausência se justifica: tô em SP e sem meu querido computadorzinho...
Se tudo der certo em breve ele estará aqui comigo e minhas insanidades e devaneios voltarão para a telinha.
Mas... continuo passando por aqui semanalmente, afinal, o Bazar continua de portas abertas, mesa posta, trago no copo e, para os que compartilham comigo, cigarro entre os dedos.
Beijo enorme!
Fabi

Quarta-feira, Janeiro 25, 2006

Banho-maria

Olha a porta entreaberta, olha. Vem, entra de mansinho. Vê como a soleira está coberta de pétalas brancas? Pisa sobre elas - encosta a base desses pés que antes deslizavam pelas minhas pernas no meio da noite, no fino e delicado tapete que te convida a penetrar.
Atravessa a sala, observa a mesa posta, as nossas duas taças, os nossos dois pares de talheres, os nossos dois pratos e as duas cadeiras vazias - aquelas que você comprou para jantar olhando nos meus olhos e admirando o que meu decote revelava cada vez que me inclinava para te beijar. As mesmas que usei como cenário, enquanto me despia para os azuis atônitos que me fitavam.
Passa a mão sobre a toalha que tempos atrás fora atirada ao chão para saciar a voracidade dos nossos desejos.
Segue pelo corredor, acompanha vagarosamente os caminhos que as pétalas desenham e te deixa guiar pelas ranhuras das paredes que por vezes absorveram o suor dos nossos corpos cálidos e sedentos um do outro. Repara, são as mesmas que machucaram hora tuas costas, hora minhas nádegas, no violento roçar de peles, na freqüente troca de fluídos.
Não entra, mas espia pela fresta da porta do banheiro, como a tua toalha permanece dobrada na prateleira e como o aquele porta-toalhas dentro do box continua levemente deslocado - desde aquela vez que no meio do banho, de costas prá você, precisei me apoiar para te sentir cada vez mais no meu espaço (quase dá prá ver meus cabelos molhados presos entre os teus dedos).
Pára em frente à porta do quarto.
Sente o perfume?
É o mesmo Salvador Dalí que você sente todas as noites, impregnado na tua pele.
Só então arromba a porta com a fúria e a sede de quem me guarda por um ano e vê como seus lençóis vazios e sem volume ainda desenham meu corpo na tua cama.


----------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Som ambiente: Nunca - Lupicinio Rodrigues
Gorjeta: Si el sueño fuera ( como dicen ) una tregua, un puro reposo de la mente, ¿por qué si te despiertan bruscamente,sientes que te han robado una fortuna? (Jorge Luis Borges)


Quinta-feira, Janeiro 19, 2006

Só hoje

Céu solidário com meus sentimentos...
Gosto disso.
Som amiente: Let's Get it On - Marvin Gaye
Gorjeta: (o medo) "É uma defesa essencial, proteção eficaz contra os perigos, reflexo indispensável à nossa sobrevivência. Pode ser causa da nossa regressão, como pode ser a fonte das respostas corretas e necessárias às indagações que sempre nos chegam em tempos de mudança."
(Rodolfo Konder)

Quarta-feira, Janeiro 18, 2006

S.E.*


Isso, faz assim; faz bem desse jeitinho que tu sabe que eu gosto.
Vai, enfia devagarzinho - não liga se sangrar, porque também já não consigo discernir se o que parte de ti me causa dor ou proporciona prazer. O sangue é necessário, e tu sabe.
Vai, coloca assim, bem lentamente. Perfura primeiro - deixa com que eu enlouqueça ao sentir o primeiro toque me rasgando, para só depois cravar todo o resto, girando vagarosamente, dilacerando por dentro.
E olha, mas olha bem esses meus olhos, ora fixos nos teus, ora se revirando e se fechando continuamente.
Sente.
Sente meu corpo se contorcendo bem devagar em movimentos circulares, meu peito inflando e desinflando pausadamente, em descompasso com os batimentos acelerados.
Vê como o ar que entra e sai dos meus pulmões resseca meus lábios, e como minha língua desliza por eles, na tentativa frustrada de mantê-los úmidos e vermelhos. Vê como minhas narinas se abrem e se fecham na busca incessante de um pouco de oxigênio.
Minhas mãos permanecerão imóveis, eu juro. Pode continuar, pode ir até o fim, sem interrupções misericordiosas - compaixão é para os fracos: eu quero mais, eu quero tudo. Vamos, encosta lá no fundo! Sente a resistência dos ossinhos que moldam minha carne, meus músculos retesados. E depois, depois que todo o suor já tiver se esvaído, depois de ver que todo meu sangue já foi absorvido pelos lençóis - depois de sentir meu corpo quase frio e meu coração batendo sem pressa e quase parando, encosta o cálice de vinho nos meus lábios, entorna o copo aos poucos para que eu deguste o último gole, coloca o cigarro na minha boca para que eu sorva a quente e densa fumaça e então sim...
Pode puxar o fio da navalha das minhas entranhas, erguer o braço, e com toda a sua força deferir o último golpe, a última estocada, porque só assim eu parto com um sorriso estampado no rosto.

* S.E. : Sídrome de Estocolmo
_________________________________________
Som ambiente: Back in Balck
Gorjeta: "Eu tinha que dosar muito bem o pouquinho de amor que restava dentro de mim para evitar que o tanque ficasse a zero e o motor parasse"
(Pedro Juan Gutiérres)

Segunda-feira, Janeiro 16, 2006

Cama de Gato


Deitada, abro os olhos vagarosamente. Mal consigo enxergar – preciso de alguns segundo para ajustar o foco. Estou nua. Percorro a linha meus seus braços até a extremidade e consigo ver meus pulsos amarrados. As finas meias de nylon brancas que antes contornavam minhas pernas agora são as algemas que me mantêm presa à cama, uma em cada punho, firmemente atadas.
Levanto levemente o pescoço, minhas costas doem, olho ao redor: minhas roupas espalhadas pelo tapete; o cinzeiro que ainda sustenta um cigarro aceso; as duas taças de vinho caídas e as três garrafas vazias. Nada faz sentido.
Nenhum som, não fosse o roçar do ventilador de teto, que gira vagarosamente, sem quase produzir qualquer aragem. Sinto o suor escorrendo por entre os meus seios.
A luz é pouca – resume-se ao tom alaranjado de pôr-do-sol que entra pela janela entreaberta e aos poucos vai sumindo.
Poderia gritar, mas algo não me permite. O medo se confunde com a sensação de fazer parte disso, de ter pedido para estar aqui, dessa forma, tão desprotegida, tão entregue
.
O barulho das chaves me tira do transe.
É quando ele entra.
A mistura dos últimos reflexos do sol com os pontos escuros não permite com que eu veja seu rosto, apenas contornos.
Ele se aproxima, passa a mão pelos meus cabelos e, cuidadosamente cobre meus olhos –continuo sem pronunciar uma palavra.
Com as pontas dos dedos ele me explora – meus lábios, minha língua. Lambo-os como se não quisesse que saíssem dali. Os dedos úmidos pela saliva descem pelo meu pescoço, mamilos, ventre... e cessam, como se me punissem, como se me atiçassem. Ele sabe me provocar.
Meu corpo se contorce, peço mais. Preciso de mais. Agito os braços, agora sim, na tentativa de soltar as amarras que me impedem de segurá-lo – presa domada (?).
Ele segura meus joelhos, percorre minhas coxas e agarra minhas nádegas com força, enquanto a língua desliza por entre as minhas pernas.
Não consigo gritar, mas meu corpo responde a todas as perguntas.
Amarrada, domada, não posso segurar suas mãos, guiar seus movimentos, tocar ou morder sua pele... eu me agito ainda mais, enquanto a respiração descompassada acelera meus batimentos cardíacos.
Num instante, um vazio: ele se afasta bruscamente – ainda sentindo ondas de prazer gemo, pedindo mais, até que ele me preenche completamente, mais e cada vez mais.
Meus pés tocam seu pescoço, seu rosto – roçam na barba, e enquanto ele os beija, segura meu quadril, controlando meus movimentos, cada vez mais ferozes, mais freqüentes, mais profundos, até que ouço seu gemido – forte e alto
É quando ele atira seu corpo sobre o meu. Seu peso me conforta.
Ainda dentro de mim, sinto-o por completo – o cheiro, o gosto do suor, o calor da pele... Meus cabelos molhados enroscados no seu pescoço só evidenciam o que sempre soubemos – quem está amarrada pode não ser a presa, mas a predadora.

______________________________________
Som ambiente: The Blower's Daughter
Gorjeta: "Quando se diz que um homem é um tigre, não quer dizer que tenha garras e pele de tigre." (Shri Ramakrishna)

**PS: A novidade é que agora tb somos: www.bazarzinho.com!!!!!! ;-)

Quinta-feira, Dezembro 29, 2005

Cabô!

Quarta-feira, Dezembro 21, 2005

Incompleto

O copo de vodca sobre a mesa. Enquanto o gelo derretia tornando cada vez mais suave o gosto do álcool eu via aquele corpo estirado no chão da minha sala. A luz que penetrava pela janela, transpondo a semi-transparência da cortina branca, deixava a fotografia com a luminosidade perfeita – difusa sobre a pele bronzeada. Assim, apertando um pouco meus olhos para driblar a sutil miopia, era possível ver cada pêlo, cada poro, cada pequena cicatriz ou sinal.
Todos os sinais de nós.
Olhei através do copo, como se as gotas que escorriam pela borda percorressem as curvas do ser que estava aos meus pés – só assim ele ficava aos meus pés. Meus dedos escorregavam suavemente em torno da pedra de gelo, mas ela parecia fugir do meu toque; nós duas, barradas pelo limite do vidro circular.
Meu reflexo no espelho, a nudez sobre a cadeira revela também um rosto rosado. Me vejo te olhando, não me reconheço.
Para onde foram as lágrimas, que deram espaço para essa cara marota, pretenciosa, sem-vergonha, audaciosa?
Teu transe passa a me incomodar, inquietar. Tua inércia me instiga. Essa menina quer fazer arte, te importunar, atiçar, provocar.
Com um leve esforço a ponta dos meus dedos dos pés te encostam, quase sem querer encostar. Te vejo arrepiar, enquanto o corpo, antes imóvel se mexe vagarosamente até envolver meus finos tornozelos.
Visão sublime dos teus cabelos entre os meus joelhos
(…)

Som ambiente: Todo amor que houver nessa vida - Cazuza

Terça-feira, Dezembro 20, 2005

A pergunta que não quer(ia) calar...

Que bicho é o pateta?

Essa foi a pergunta/polêmica de ontem.
Jurei que colocaria a enquete no blog, assim, sem pender para nenhum lado ou deixar minha posição clara, mas....
Pooooooooooooooo... depois de acordar ouvindo todo mundo dizer: "O PATETA É UM CACHORRO, Fabi!" tenho que admtir, com algumas ressalvas: tá, tá, tááááááá... o PATETA É UM CACHORRO.
Caraaaaaca, isso é uma injustiça! Porquê? Simplesmente porque o Pluto também é um cachorro. Ahhhh, não tá entendendo nada? Pois bem, se o Pateta também é um cachorro pq ele usa roupa, fala, trabalha, é dono do seu próprio nariz (quer dizer, não tem um “dono”) e o Pluto não. O Pluto continua caminhando sobre 4 patas, não fala, não usa roupa e obedece ordens do Mickey. INJUSTIÇA!!!! E tem mais… olha a sacanagem do mundo animal: se o Pateta é um cachorro, como é que a namorada dele é uma vaca (a Claribela)?
Ahhhh… tá explicado… se o frango pode ter uma vaca como irmã e pais humanos, tudo é possível, né? Mas…
O Pateta definitivamente não pode ser um cachorro…
:-(

PS: As fotos de ontem estarão disponíveis na Prateleira depois das 14h (tentei mandar por mail, mas voltaram)

PS2: Porque todo mundo precisa de uma boa dose de bobagens de vez em quando


Quinta-feira, Dezembro 15, 2005

Entrei na campanha

Depois de tudo q aconteceu esse ano e (prá fechar com chave de ouro) de ficar a 2cm de ser atropelada ontem... Só me resta dizer...

Som ambiente: Mesmo que mude - Bidê ou Balde

Terça-feira, Novembro 29, 2005

Por todos os amores possíveis

Com a devida licença… dá prá fazer tudo outra vez?
Faz?
Te entrega, te rende. Concede provas da existência do que tua boca repetiu.
Coloca o peso do teu corpo acima do meu, me pressiona, me tira o ar, me sufoca de você. Deixa com que esse líquido salgado e quente transborde dos teus poros e escorra até preencher os espaços dos meus.
Vai, te apaixona novamente. Fica de joelhos, beija meus pés, mas sorria. Me manda uma caixa de flores vermelhas, me indica uma leitura, me liga de madrugada, me serve um copo de vinho tinto – observa a gota que escorre pelo canto da minha boca. Acende um cigarro, põe entre os meus dentes devagar, sente através dos teus dedos o calor da minha longa tragada. Me olha. Senta na minha frente e aprecia o que teus olhos enxergam por entre os meus joelhos. Roça teus pés nas minhas coxas, morde os meus – me deixa com vergonha, sem-vergonha.
Faz de novo?
Tudo de novo?
Entra pela fresta da porta que ainda se mantém aberta. Entra correndo. Mete o pé. Invade. Toma conta. Te apossa sem pedir licença. Perde o medo. E deixa a armadura na soleira. Entra nu.
Mas vai até o fundo.
E amanhã de manhã, cobre outra vez aquela fresta da janela para que eu durma até mais tarde e, assim, com a língua entre os meus lábios – pequenos lábios – talvez, entre um gemido e outro você ainda me escute te dizer “eu te amo”.

Segunda-feira, Novembro 28, 2005

Retrato da segunda-feira


Essa é a imagem que mais se aproxima da minha cara hoje (literalmente!)
Ora... se não posso fazer nada a respeito, o negócio é me divertir (e quem sabe divertir os outros) com situação, né?
Explicoooo.... tô com a cara mais inchada q a do fofinho aí em cima (puuuuta reação alérgica). Entonces... Rir é o melhor remédio (apesar de deixar meus olhinhos mais apertados ainda!)
Boa semana,
Bjuuuu


PS: Por sugestão prometo q se amanhã ainda estiver com carinha de bulldog ponho uma foto minha... hehehehehe

Quinta-feira, Novembro 24, 2005

Couvert

Sexta-feira, Novembro 18, 2005

Algoz

Vomita, sua cadela sem-vergonha!
Te abraça no que mais combina com você: essa privada baixa, fétida e imunda. Assim, de joelhos, nesse piso úmido e frio - te abraça nela e vomita. Põe prá fora o que te apodrece por dentro. Deixa com que saia tudo daí, rasgando tua garganta. Fica sem voz, tosse, cospe. Chora, mas chora com vontade, sua putana. Quero ouvir teus soluços de onde eu estiver, para que eu saiba que sofres enquanto regurgita os vermes que alimentas com caviar, champagne francês e tragadas no fininho.
Vai lá, coloca a cabeça dentro do buraco prá ver se mesmo de olhos fechados enxergas tudo o que esta tua vida mundana te fez engolir.
Sente o cheiro. Vai, respira fundo!
Ah, isso te dá mais ânsia, mais vontade de vomitar? Então respira mais fundo. Abre as narinas e fecha essas pernas. Abre a boca - eu seguro teus cabelos. Minhas mãos já estão enredadas nos teus nós desde quando te abracei pelas costas. Posso segurar tua cabeça, controlar teus movimentos com facilidade, seja para te penetrar, seja para te expelir. Eu seguro - você é pequena; sinto seu crânio tocando minhas falanges. Eu poderia esmagá-lo agora.
Vomitou?
Tossiu?
Cuspiu tudo?
Tudinho mesmo?
Chorou?
Então vem cá, minha pequena...
Vamos lavar teu rosto... Vem cá, querida, eu te ajudo. Te pego no colo, vem aqui, vem...
Te agarro, te sustento, te equilibro - sei que com tuas pernas fininhas fica difícil se erguer sem apoio sobre estes saltos. Te pego pelas costelinhas, do jeitinho que eu sei que você gosta... Olha como posso tocá-las, todas elas, cada uma delas; posso sentí-las sobre essa tua pele delgada, delicada, estreitinha.
Te abraço, te ponho na banheira com água morna. Te banho - percorro cada metro quadrado do teu corpo com a esponja; bem devagar. Te limpo, te purifico. Seco tuas lágrimas, tiro o negro borrado escorrido dos teu olhos.
Vem, minha menina... Te enxugo, todas as gotinhas; só não te visto porque gosto de ver esses teus ossinhos saltando sob os lençóis.
Não, você não vai mais passar frio... Eu te abraço, te aqueço.
Vem, te aconchega em mim, assim, mansinha, quietinha, quentinha - úmida de novo.
Sim, vem que eu cuido de você, meu amor.

Sábado, Novembro 05, 2005

More than a crush...

Carne Crua - ... diz:
mas...
sei lá...
tu sabe, eu amo. Amo muito. Amo com tudo. Amo a cem por hora. De todos os jeitos e formas. De todas as cores, cheiros, sabores. Mas o amor é por vezes vão.
Ilusório.
Por vezes se isola no vácuo.
E dói... Como dói.
Carne Crua - ... diz:
A falta de ar esvazia os pulmões, seca as veias, faz o coração bater devagar, baixinho... Baixinho como o choro do amor em vão.
Old Jazz Man diz:
E os planos ... ?
Carne Crua - ... diz:
A pele seca sem o sangue. Mas não secam as lágrimas - desaquece a alma
Carne Crua - ... diz:
putz... tua pergunta me inspirou um texto... tá vendo?
Carne Crua - ... diz:
planos, planos...
preciso de grana
Old Jazz Man diz:
com certeza, já está saindo um poema, ou uma prosa das boas...
Carne Crua - ... diz:
Grana prá fazer o sangue correr novamente. Aquecer o corpo.
Umidificar suas cavernas.
Carne Crua - ... diz:
desculpa
Old Jazz Man diz:
o que? desculpar o que se este amor está tão longe demais das pequenas capitais?
Carne Crua - ... diz:
longe demais e perto demais
Carne Crua - ... diz:
justo, colado
Carne Crua - ... diz:
no corpo, na alma - entranhado.
Old Jazz Man diz:
meu deus... que coisa... me sinto meio pequeno diante de algo tão imponente.
Carne Crua - ... diz:
Impregnou. Como o cheiro de luxúria que sentimos nos lençóis pela manhã.
Carne Crua - ... diz:
Tááááá... chega de prosear
Carne Crua - ... diz:
tô com a ferida exposta hoje
Me deixa buscar um band-aid


(Carne crua se envolve nos lençóis, sem perceber que o branco se pinta de vermelho. Old Jazz Man continua com os dedos sobre o piano... sem que se escute qualquer som - a não ser dos seus sonhos, gritando para serem libertados do cárcere profundo, frio e escuro onde ele os guardou. Há anos.)

Sexta-feira, Novembro 04, 2005

EL CÓMPLICE

(não tenho por costume fazer isso - reescrever no Bazar textos que não sejam meus. Mas o dia pediu, então... Que Borges me ajude...)


Me crucifican y yo debo ser la cruz y los clavos.
Me tienden la copa y yo debo ser la cicuta.
Me engañan y yo debo ser la mentira.
Me incendian y yo debo ser el infierno.
Debo alabar y agradecer cada instante del tiempo.
Mi alimento es todas las cosas.
El peso preciso del universo, la humillación, el júbilo.
Debo justificar lo que me hiere.
No importa mi ventura o mi desventura.
Soy el poeta

(Salve Borges)

Terça-feira, Novembro 01, 2005

Vísceras

Me tira dos teus sonhos,
Porque sou realidade
Sou carne, órgãos, pele
Sou sangue, veias, suor
Sou calor, umidade, saliva
Sou desejo, tesão
Sou sexo, língua, fluídos
Teus sonhos não te mordem, não marcam tua pele; não te aquecem, não te tocam, não te penetram, não te doem, não te molham, não te gozam - não escarnificam tua alma
Deles têm despertares ofegantes e incompletos
De mim, saciado, preenchido, extasiado.
Me tira dos teus sonhos
Das imaginações pérfidas dos que se alimentam do seu vazio
Dos que se encaixam nos espaços de você em mim
Me tira dos sonhos
Porque sou tua realidade

Segunda-feira, Outubro 31, 2005

Escopolamina

Entendo sua partida
Afinal, sou crua demais
Para um mundo tão vegetariano

Entendo sua desistência,
Afinal, estou despida demais
Para um mundo de pudores,
máscaras e roupas de mentira



(Por isso, não me cozinhe sobre essa chama branda
E solte a minha mão
Se não souber lidar com carne crua)

Segunda-feira, Outubro 10, 2005

Entre línguas

Um ar gélido invade sua espinha dorsal, subindo até a ponta, até o pescoço e fazendo com que ela desperte. Os poros se contraem, os pêlos eriçados revelam seus sentidos.
A sensação de vazio e desproteção, mesmo em uma cama quente e em meio a tantos lençóis - que se misturam desordenadamente com pernas e braços - não a impedem de sentí-lo, de farejar seu odor. E ela espreita.
Sente a mão tocar sua coxa, apalpar suas nádegas, deslizar pelos quadris, contornar a cintura, subir pelos ombros e enredar-se bruscamente nos longos fios de cabelo espalhados pelo travesseiro branco. Uma segunda mão agarra seu maxilar com austeridade impedindo-a de fugir das mordidas ferozes. Mordidas úmidas, pelos ombros, pescoço - a língua escorregadia percorre e delimita o caminho da próxima dentada - passa pelas maçãs do rosto, rosadas, quentes... Incorrem pelos lábios penetrando-a. Duas línguas.
Seus mamilos se enrijecem. As mãos que antes seguravam bruscamente seu maxilar tomam uma certa delicadeza e agarram-nos, pelas pontas - sentem a textura, impedindo que se amoleçam novamente. Sob movimentos desordenados, cuidadosos, mas constantes - sob doses homeopáticas de prazer os dedos os mantêm no mesmo estado rijo, quente.
Na falta das lágrimas o suor os une. O calor faz com que as gotas evaporem dos corpos e inundem o ambiente com um aroma da mistura de peles, de desejos, de fluídos.
As pernas amoleçem - ela já não domina seu corpo. As pupilas dilatadas não a deixam enxergar - ela já não precisa.
Ele conhecia seu orgasmo, invadia sem cerimonia - ela não usava roupas, não se cobria com lençóis, nem com sua vergonha.
No interior um do outro, as mentiras estavam cobertas - de costas ele não poderia ver o sorriso, a testosterona no canto da sua boca.
Invasão desmedida, imperfeições na soleira da porta.
O ar gélido se instala no seu estômago enquanto todo o calor do corpo se transfere para a ponta dos dedos dos pés e sobe compulsivamente por entre suas pernas até que...
Num último suspiro o corpo arrepia, enrigece, treme e relaxa.
Os compassos ofegantes da respiração agora são sua única companhia.
Lençóis sobre os corpos.
IML na portaria.

Quinta-feira, Outubro 06, 2005

A resposta:


Gota de sangue?
Ah, devo ter esquecido de limpar a boca depois do jantar.
Obrigada pela sobremesa.

Quarta-feira, Outubro 05, 2005

A pergunta:

Desculpa moça, mas vi a gota de sangue escorrendo dos seus lábios e não resisti:
tive que beijá-la, despudoradamente.

Terça-feira, Outubro 04, 2005

De fato


Você pode passar horas esperando que a sua caixa de mail avise que “vc tem uma nova mensagem”. Você pode passar dias esperando que aquela carta ou um e-mail chegue.
E passar mais boas horas olhando para ele, sem abrir, sem ler, pelo simples fato de já saber o que está escrito.
A espera engrandece o fato.

Sexta-feira, Setembro 30, 2005

Meat!?


Tenho que passar, de segunda a sexta, quatro vezes por dia (no mínimo) por uma obra da prefeitura (obra de rua... que toma umas quatro quadras).
Depois de pensar que tinha virado santa ou freira - traduzindo: escutar umas dez vezes “meeeeeu Deus!!!”, ou que tinha cara de dentista - quer dizer, ouvir aqueles - fshhhhhhhhh (aquele negócio bagaceiro de puxar o ar prá dentro, como quando se está com dor de dente), resolvi:
desde ontem só passo por ali com o walkman e ligado no volume máximo.
Definitivamente não tenho vocação prá nenhuma das duas coisas, nem sangue frio prá passar sem dar uma bela resposta!
;-)
Beijão, bom (leia-se: óóóótimo) findi e...
Pôôô... os dez mil acessos (e o clima de hoje) me deixaram com um sorriso que se estende de ponta a ponta no rosto!
BRIGADUUUU!

Quinta-feira, Setembro 29, 2005

Regra nro. 1


Ao sair, por favor, feche a porta.
Ass.: Coração.

Sexta-feira, Setembro 23, 2005

Pequenas curiosidades...

1-MSN?
Já escutei gente dizendo que gostaria de poder saber quando foi bloqueado no msn de alguém, ou quando a pessoa está conectada, mas aparece como off-line.
Bom... não me perguntem como, nem pq funciona só com alguns contatos, mas o maldito msn que estou usando no trabalho me possibilita essa "CRUELDADE". E digo (tb sem muitas explicações, por favor): isso não é bom, não.

- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -
2-Banzé no bus
Uma doida começa a gritar: "Isso é coisa do demônio!! Esse cobrador é do demônio!!! Esse motorista é do demônio!!!! O prefeito é do demônio!!!! Onde já se viu fazer ônibus sem janela? Isso é coisa do demônio!!!"
Reclamou pq o ônibus tinha ar-condicionado, não janelas.
Já andaram nas "latinhas", no verão, sem ar-condicionado?
A mulher desce (ainda reclamando). O povo comenta. O povo ri.

Todo mundo GELADINHO.
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -
3- Bus - parte II
Olha, me considero uma pessos observadora. Aquela observação "do bem", gosto de perceber os detalhes - não prá avacalhar, mas justamente pq sempre achei que pequenos detalhes revelam muito.
Sobe uma mulher, aparenteando lá seus 30 e poucos anos. Linda, loura, cabelos cacheados (ahhh... eu sempre quis ter cabelos cacheados...), bem vestida, batom, olhos azuis, perfume doce... Poxa... eu admito quando uma mulher é bonita mesmo, sem frescura.
Ela ergue a mão para se apoiar no banco e...
arghhhh... suas mãos apresentam os dedinhos cobertos por unhas... SUJAS! Podre de sujas! Pretas mesmo. Cacaca.
Cabô a mulher.
Olha... não sei com o que ela trabalha nem os motivos pelos quais ela saiu assim, mas... realmente... Cabô.

PS: Ôpa... desculpem o excesso de assunto na minha cabeça e a falta de palavras - explico: agora é 00:34 e só faz duas horas que parei de trabalhar. Mas precisava dar uma passadinha no Bazar, né, nem que seja prá deixar claro que "continuamos de portas abertas"!!
Beijosss

Domingo, Setembro 18, 2005

365 dias (mensagem ao Rei)

As portas do castelo se abriram. Pude ouvir o ranger das antigas e desgastadas dobradiças de cobre que nos mantinham sob a clausura da tristeza dando espaço sonoro para o barulho dos pingos da torrencial chuva que caía naquela cinza tarde de domingo. A luz difusa ofuscou brevemente minha visão, mas o soprar do vento, que trouxe consigo o odor adocicado daquele perfume inconfundível - mesmo misturado com o cheiro de suor e sangue - me proporcionou a certeza: ela regressara.
Levantei-me empurrando bruscamente a cadeira, atirando o punhal que eu afiava sobre a mesa e corri ao seu encontro. Foi quando a vi, dobrando os joelhos, com os punhos cerrados e o corpo apoiado na espada encravada no arenoso solo da entrada. Ela ergueu a cabeça, mirando-me; vi novamente, depois de meses, o brilho das duas esmeraldas voltadas para mim - o brilho que julguei ter se apagado ou se afogado no rio de sangue das batalhas. Coloquei minhas mãos sobre seu tórax e contornei sua delgada cintura erguendo-a. Ela ainda possuía o mesmo calor, as mesmas curvas... E não consegui decifrar se o líquido quente que escorria por sua tórrida, lustrosa e macia pele era formado por suor ou pelas gotas da chuva, mas percebi que se confundia com alguns grãos de areia e tinham uma coloração que deixava evidente o vestígio de sangue.
Voltou com as mesmas roupas - rasgadas e sujas, mas eram as mesmas peles e couros de animais que a cobriam quando da sua drástica e inesperada partida.
Senhor meu Rei, é quase impossível (e chega a ser constrangedor) para mim, um reles, mas bravo e fiel súdito descrever o que senti ao segurar, ao ter novamente em meus braços aquela mulher - a sua mulher.
Os dourados fios dos seus cabelos escorregavam pelo meu ombro enquanto a ergui, e pude, nesse instante, ouvir ainda que por sussurro, as primeiras palavras pronunciadas: "Diga ao meu rei que voltei. Diga ao meu rei que nunca parti - sempre estive no seu íntimo”.
Ao deitá-la também pude perceber todas as marcas deixadas em seu corpo. Dentre alguns arranhões e um profundo corte no tornozelo esquerdo, o que mais me chamou a atenção foi a nova marca negra, a nova tatuagem desenhada em seu dorso. É um lindo e estranho desenho de formas arredondadas, característico de uma tribo Afshar, dos confins do oriente - ouvi rumores de um significado que ainda não sabemos com exatidão.
Meu senhor, escrevo-te para dizer que sua amada esteve em dura batalha por incontáveis dias. Conto-lhe que ela partiu bruscamente (agora sei), após ter recebido uma mensagem de um velho e inescrupuloso feiticeiro, entregue por uma das suas escravas, que colocavam à prova e em xeque todos os feitos e as doces palavras proferidas por este Rei, seu amor. Ela partiu em busca da verdade e em preservação ao seu nome, meu Rei. Partiu e colocou seu reino, seu corpo, seu sangue e sua alma em defesa da honra de seu amado.
Como prova, tenho aqui em minhas mãos, em estado putrefato e repleto de pústulas uma fétida cabeça - a cabeça do feiticeiro que ousou caluniar e difamar (inflamando os instintos mais primitivos da sua amada). Cabeça esta que segue juntamente com meu relato, cuidadosamente acondicionada, para que vossa majestade possa conhecer a face (mesmo já sem vida), arrancar com suas próprias unhas seus glóbulos oculares e proceder o escalpelo do maldito.
Meu soberano Rei! Sua amada princesa somente libertou a guerreira que vive nas entranhas, que mora por entre os seus mais profundos e rudimentares impulsos naturais, com o propósito de manter viva, acesa e verdadeira a força, o poder, a energia e o amor que os unem - a vossa majestade e esta bela mulher que tenho diante dos meus olhos agora.
Ela ainda o ama - agora isso me parece mais evidente do que antes, do que anteriormente à sua partida, e mais do que nunca chama pelo seu nome e clama por sua presença, meu senhor.
Aguardamos notícias do reinado deste ponto colateral compreendido entre sul e leste, que tem o privilégio de abrigar a presença constante deste Rei sobre a repercussão da volta da princesa e os sentimentos de vossa majestade em relação a ela, que mesmo febril e gravemente ferida, ainda jura amor somente ao Senhor.
Saudações,
Seu fiel servo do sul.

Terça-feira, Setembro 13, 2005


Ela escreve para alguém que não a lê.
O prazer que sente ao deixar o grafite percorrer o papel, deslizar sobre sua textura e sentí-la, transforma palavras em linhas, linhas em páginas.
É como se cada pequena resistência encontrada no contato da fina ponta da lapiseira com o espesso papel levassem-na para junto dele; era a mesma sutil resistência que as mãos sentiam ao percorrer seu corpo - sentir os pêlos, os poros, a umidade aumentando.
Abre os olhos: o grafite estático desenhou um ponto.
Ponto final.
Hora de guardar tudo.
Desejo na gaveta.

Segunda-feira, Setembro 12, 2005

E...

...Após dias agonizando, o dragão soltou a última faísca de fogo, a última manifestação de força que ele era capaz de oferecer. E em meio a poça do sangue jorrado ao longo dos dias a centelha se dissipou e o bicho proferiu seu último suspiro.
O guerreiro, cansado pela dura batalha e pelos longos dias de demonstração quase desumana de força, por permanecer ali, com a lança presa ao pescoço do maldito animal, impedindo-o de espalhar mais destruição e mortes, descansou - soltou as mãos ensanguentadas do cabo que prendia a pontiaguda lâmina na extremidade, ajoelhou-se, mirou o céu em agradecimento aos Deuses da guerra e partiu, no lombo do mouro cavalo.
Novos desafios o aguardavam.


Boa semana!
Beijão,
Fabi

Terça-feira, Setembro 06, 2005

Bichos à solta


Foi notícia:
Acreditem ou não...
"fuga das galinhas" em Porto Alegre!
Um caminhão tombou "libertando" 7200 galinhas entre duas avenidas de Porto Alegre - 210 morreram atropeladas.
Fiscais da Empresa Pública de Transportes e Circulação (EPTC) passaram a manhã tentando recolher parte das bichinhas, além de controlar a situação do trânsito na área.
Tá... agora te imagina vindo bem traquilo pela Oswaldo Aranha e se deparar com um mar de galinhas enlouquecidas à solta
E depois...
Os "azuizinhos" (fiscais de trânsito de POA) mais enl
ouquecidos ainda, correndo atrás delas...
Hahahahaha...realmente...
Exitem coisas na vida que não tem preço...
PS: Enquanto isso... em SP, vaquinhas coloridas enfeitavam as ruas.

Por hoje era isso...
Bju

Quinta-feira, Setembro 01, 2005

K I I L L ! ! ! !

"He shot me down Bang bang, I hit the ground Bang bang, that awful sound, Bang bang, my baby shot me down..."
Inspirada no post de um blog que visito diariamente (visita lá) resolvi brincar um pouco no photoshop com um dos personagens (e um dos filmes) que mais amei.
(Nossaaaa... juro que tô morreeeeeendo de rir com o resultado!!!!)

(clique na foto para ver ampliada)

E agora? Vai olhar as fotos das revistas com outros olhos?
Ahhhhhhhh rapaiiiiiiiizzzzzzzz!
Bjooooo

Terça-feira, Agosto 30, 2005

Supply


Tiraram todos os espinhos da rosa
Mal sabiam que ela se alimentava do líquido

que escorria dos dedos de quem a segurava.
Alimento vivo, espesso e quente.
Estado de coma.
Só uma jarra de sangue pode salvá-la.

Segunda-feira, Agosto 29, 2005

Fofoca...


"Amor e ódio tão de namoro."
Que perigo...

Domingo, Agosto 28, 2005

01:51


Tatuagem nova - não posso deitar de barriga prá cima, nem prá ler.
Isso não é bom...
Um livro - primeiro. Capa preta, palavras soltas. Desconexas? Nem um pouco prá quem lê, muito prá quem vê a capa.
Ditadura, regime uruguaio, governo. Era só o primeiro.
Página 110.
Real e duro demais prá hoje.
O segundo. Capa branca, palavras soltas. Desconexas? Sim para quem não entende o que é um lettering, um logo ou não faz idéia de que cor seja "um magenta" ou "um ciano".
Contos reais. Podiam ser meus - ainda bem que não são.
Página 73... Acho q tá na hora de parar.
O que será que está passando na tv essa hora?
Telefone.
Ainda dá tempo prá uma cerveja?

Sábado, Agosto 27, 2005

Friday...


,Passando longe desse papo brabo de deprê
Hoje, nessa sexta-feira, me dei ao luxo de negar
todos os convites e me permiti só...
eu, chocolate e edredon
;-) Boooom findiiiiii!
Bjs

Segunda-feira, Agosto 22, 2005

Para segunda-feira....

Hoje...
"eu estou vestida com as roupas e as armas de jorge
para que meus inimigos tenham pés e não me alcancem
para que meus inimigos tenham mãos e não me toquem
para que meus inimigos tenham olhos e não me vejam
e nem mesmo um pensamento eles possam ter para me fazerem mal

armas de fogo meu corpo não alcançarão
facas e espadas se quebrem sem o meu corpo tocar
cordas e correntes arrebentem sem o meu corpo amarrar
porque eu estou vestida com as roupas e as armas de jorge"

Meu espírito de segunda-feira é esse: "Salve Jorge".
Tô quase com a lança encravada na cabeça do dragão... falta muito pouco...
E textos na cachola que serão libertados em breve!
Bjus!!!

Quinta-feira, Agosto 11, 2005

Dioses!


Bju!

Segunda-feira, Agosto 08, 2005

Mau sapão... "Futilities"




Eu e o dia fizemos um pacto: vamos acordar iguais.
Cinzas e frios. Ok?
Ok.
Prá ajudar a boca rachada que não cura. Acordo, tá boa. Abro a boca... Caca.

Frio, frio...
Melhor ficar de boca fechada.
Nossa...
Até meus dedos deveriam ter ficado imóveis hoje.
Sai de mim, coisa ruim!

Sexta-feira, Agosto 05, 2005

S.A.C

(questão resumida)
(...) Poxa, Fabi... tá foda essa coisa de relacionamentos.

Vai saber qual é a de cada um?! (...)
Olha... quem sou prá falar sobre isso, mas acredito que podemos estar para os relacionamentos afetivos, assim como para os imóveis ou mercado imobiliário.

Como assim?
Às vezes alugamos um apartamento.
Ele se torna a sua casa. Você arruma, pinta, limpa, reforma... Cuida dele. Adora ele. Mas... Não é seu. E vc sabe que, apesar de gostar muito dele, de se sentir em casa nele e de cuidar tanto, não é nele que vc pensa em morar por um loooongo tempo ou até ficar velhinho. Enquanto vc mora ali e ele te serve, é apropriado aos seus propósitos e ao seu orçamento, tá beleza, é ali que vc vai ficar. Mas tem a certeza de que é provisório.
Outras vezes compramos um apartamento.
Vc perambula um tempão, passa por vários (ou alguns) aluguéis, mas finalmente acha o apartamento que procurava. "É esse, perfeito - tudo que eu precisava!" Bom... nesse vc investe muito mais, faz uma reforma mais pesada (uau... pode até derrubar paredes sem pedir permissão pro dono!), pinta, ajeita. É seu. Agora sim é a sua casa, o seu lar, o seu ninho. É o lugar onde vc pensa morar por um loooooooongo período de tempo ou (nesse sim) até ficar beeeem velhinho.
Esse é o básico - ou aluga-se, ou compra-se, mas... bom...
Como nada é estático nessa vida e para todas as regras existem as exceções...
De repente vc muda de emprego (de estado ou de país até!), ou ele se torna pequeno para vc, ou grande, ou... ou... e se dá por conta que esse apartamento, no qual vc investiu - esse mesmo que vc pensou em morar até ficar velhinho, que vc cuidou com tanto carinho simplesmente não se adapta mais às suas necessidades... Então... Nada te impede de vendê-lo e procurar outro.
Daí, quem sabe se será um novo aluguel ou uma nova compra?
Ou quem sabe vc decide comprar o que estava alugando?
Capiche?
Tái.
Pense.
Vc tá no alguel, já comprou o seu (1º) apartamento, ou tá na troca?
O Serviço de atendimento ao cliente do Bazar agradece a sua ligação e...
Tenha um bom dia!

Segunda-feira, Agosto 01, 2005

Franjinha

Táááááá...
"Tão se puxando" agora.
Depois da periquita e da Barbie fui de Cher a Cleópatra loira.
Mais algum ou posso passar a régua e fechar a conta por essa semana?
Deu né?
;-)
Beijos

Sábado, Julho 30, 2005

De... a...

"Tia... sabia que tu parece uma Barbie? Teu cabelo brilha que nem o dela!"
Essa foi ontem.
Dizem que criança não mente.
Ahhhh... Barbie é melhor que periquita, né?
Salvem as crianças (e sua ingenuidade).

Bj

Quarta-feira, Julho 27, 2005

O pastiche

Blusa de lã "verde cítrico": R$ 98,00
Cabelos louros e brilhantes: R$ 140,00
Ouvir "vem cá minha periquitinha" de um desconhecido na rua no primeiro dia de volta ao trabalho depois de quinze dias de férias: NÃO TEM PREÇO.


Existem coisas que só o dinheiro compra
Para "o cara da periquitinha" (e todas as outras cantadas idiotas como essa) existe o famoso "vai te fu..."

Hahahahaha...
Periquitinha vai trabaiá agora.
Bju

eXTReMe Tracker